Beira de rio

Meu blog será alimentado com crônicas e outros textos diversos sobre temas do cotidiano, escritos como se eu estivesse tendo inspiração, sentada à beira de um rio encachoeirado.

Beira de rio

Meu blog será alimentado com crônicas e outros textos diversos sobre temas do cotidiano, escritos como se eu estivesse tendo inspiração, sentada à beira de um rio encachoeirado.
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Arquivo de: Janeiro 2008

24.01.08

Fora do ar

24 de janeiro de 2008

 

Blog fora do ar por uns tempos. Blogueira pensando. Blogueira pensando.

Mas, antes de sair, quer prestar um serviço de utilidade pública: não deixem de assistir, em regime de urgência, ao filme "Desejo e Reparação", de Joe Wright, Inglaterra 2007. Não é porque ele está concorrendo a vários Oscars, inclusive ao de melhor filme. Mas é porque, é porque, "a gente fica sem respiração", o cérebro não oxigena e a gente perde, até, algumas cenas do filme. Só assistindo. Pena que Edu não viu.

Até qualquer hora.

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  • Postado em 18:48:40

22.01.08

P.S: Eu Te Amo.

21 de janeiro de 2008

Tratei com uma amiga que, chegando ao Rio, iria procurá-la para, juntas, começarmos a colocar em dia a nossa agenda cinematográfica, teatral e musical.
De Búzios, ouvi-a contar que lembrou-se muito de mim, ao ver o filme “P.S. Eu Te Amo”, cuja sinopse eu já conhecia. Sabia que era um pouco da nossa história.
Assim, de chegada, fui logo ver a fita. Ela não é parecida com a nossa história. Ela é a nossa história, com personagens mais novos e com final determinado. Estas, as diferenças.
Você não enviou cartas post-mortem, como o marido Gerry (Gerard Butler), que se foi. Mas a sua ida foi tão repentina, a sua vida foi tão fortemente vivida, que os seus sinais estão em todos os cantos. No nosso escritório; no abajur em cima do teclado; nas muitas caixinhas e canecas com tesouras, estiletes, canetas, lápis, pincéis, post-its, cadernos de anotação e a urna, uma linda maleta que Marcella me presenteou e que, depois de ter levado o saco de plástico com as suas cinzas para jogar na Praia de Geribá, ficou limpa e marcada. Eu a trouxe. Ali, estão os seus lápis de cores, pincéis e rolinhos de pintar paredes. Não fosse você o Artista Plástico tão superlativo, a meu ver; o Publicitário que, segundo o Bob Gueiros, inscrito no Blog do Hayle Gadelha e coletado pelo nosso Favilla, não deveria ser chamado de Diretor de Arte, mas de Presidente de Arte; o Arquiteto sem pasta, com a pasta de Dr. Manoel debaixo do braço, na ponta dos pés, dando força aos desenhos que viu ele traçar.
Não fiquei louca, ainda, amor. Nem a personagem do filme, a Holly (Hilary Swank – A Menina de Ouro), ficou. Mas ficamos e eu ainda estou, em estado de choque. A direção de fotografia da nossa vida foi semelhante à do filme. Só grandes tomadas. A minha dor sangra como a de Holly. Mas, como nem sempre a vida imita a arte, o Gerry dela aparecia em flash back. O meu Edu, não.
Guardo todas as suas fotos impressas. Beija-flores intrigados; barcos e mares; políticos e bandidos; eu, muito eu e você. Sempre sorrindo, de mim, pra mim, por mim.
Chorei muito, hoje, no Dr. Carlos Augusto. Contei pra ele da nossa inversão de papéis. Eu administrava os negócios meus e seus e você tomava conta de mim. Ele conheceu nós dois. Ele ouviu nós dois. Vamos desdobrar isto.
Mas nada disto é tão forte quanto eu querer saber de Deus porque Ele te levou, sem me perguntar, sem nos perguntar e deixar restar a nós a perplexidade.
Ficaram os seus ruídos, as suas telas, os seus insights, as nossas noites de amor, a sua rabujice ariana. Ontem, me peguei a arrumar os álbuns de foto no computador e, quando vi, estava cumprindo vontades suas. Tirava a palavra foto da frente de todos os acontecimentos. Ri-me e me veio à mente você sentenciando, pouco antes de partir: “Fotos do meu aniversário. Rose, se não são fotos ou vídeos, o que se descarrega de uma câmera”? Onde tinha “Vídeo”, eu deixei, porque são poucos e tinha que diferenciar. Como você queria. O cineasta sabia do que estava falando, quando contou que vocês deixam sinais, recados. Em tudo: no fogo, na água, no ar.
Estamos sob ameaça de racionamento de luz para 2009. Lembro-me da sua campanha do PROCEL e da quantidade de ares, ventiladores e luzes que você deixava ligados, ultimamente. E vou ligando, sem sentir. Faz calor, mesmo. E fica escuro.
Pedro Bial, depois que escreveu uma crônica sobre a morte, pode fazer vinte ou duzentos BBBs. Está liberado. Você deixou uns trocados, a identidade, o título de eleitor e o CPF novo na carteira; documentos para agir; caneta, papel e lenços de papel no nosso carro; as suas caixas de remédios cheias; a cola pela metade; fitas crepe mexidas; cartões de banco com senha, uns, outros não; as crianças, as três, tristes, perplexas, achando que você estava aqui, no nosso apartamento de esquina, lendo O Globo, pintando um quadro, assistindo a um dos seus filmes (não fosse você o grande cinéfilo), lendo os seus livros de arte e não. Você partia rápido, silencioso, como viveu, sem tempo nem da gente te perguntar o novo endereço.
Na sua agenda, estavam anotados compromissos; no computador, estão a arte do meu livro e dos postais; o logotipo da Studio B.
Merda. Morrer existe. Não é só um verbo intransitivo. E pode ser conjugado. No particípio passado. Este tempo, que me serviu tanto, há dias, hoje me sufoca. Porque o particípio passado do verbo morrer, na terceira pessoa do singular, é “ELE MORREU”. Edu morreu.
Só podia ser. O Diretor do filme, Richard LaGravenese, é o mesmo romântico de as Pontes de Madison, que você classificava como lacrimoso. Se visse a quantidade de lágrimas que choro por você, meu amor, não ia agüentar o filme. Ou, então, às avessas, ia estufar o peito e ficar feliz porque a sua amada chora tanto, tanto. Soluça. Inconsolável. Por você.
“Chove lá fora/ Aqui faz tanto frio.../ Me chama, me chama, me chama”.

P. S.: Eu te amo.

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  • Postado em 22:55:50

15.01.08

Acordei

 

Acordei de tarde, bem tarde.

E a minha irmã psicóloga (ou minha psicóloga irmã?), já acostumada às lides emocionais e psicológicas, mesmo com sono, observou um detalhe no filme do Bruno Barreto: o pai da personagem Fernanda (de Regina Duarte) havia acabado  de morrer. Ela sofria muito e tentava assimilar a dor da perda. Doía tanto, mas tanto, que ela pegou o coração do pai, inteiro, e saiu andando pelo mundo, levando-o como um troféu, deixando sangrar, emergir todos os seus mais enraizados conflitos (olha aí a irmã psicóloga), rasgando as vestes, se lambuzando de cinzas.

Quando a dor foi aplacando, quando o rescaldo do terremoto podia ser visto, ela retomou as rédeas da sua vida. Os seus antigos amores. Todos. Como sempre. Estava sem papai, mas viva e diferente. Ela sabia que, nada, nunca mais, ia ser igual.

Dia 15 de janeiro, dia de Santo Amaro, feriado em Campos dos Goytacazes/RJ. Lá vai um monte de gente para a igrejinha do Distrito levando cabeças, pernas, joelhos, pés e almas de gesso, para agradecer ao santo os milagres. À tarde, tem Cavalhada, uma reprodução da luta entre mouros e cristãos - as eternas "guerras" religiosas. E, hoje, também, faz aniversário o meu eterno Pequeno, o meu afilhado e sobrinho querido. Quero-o feliz.

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  • Postado em 12:52:31

Sem Encantamentos, graças a Deus

14/15 de janeiro de 2008

Sinto-me feliz e livre, liberta. Cheia por dentro e calma. Em paz comigo. Um tempo de verbo me salvou, me lavou a alma: o particípio passado do verbo acreditar.

Afinal, lendo  o poeta francês Arthur Rimbaud, em Acreditar em todos os Encantamentos, do livro Uma Estação no Inferno, extraído de História da Beleza, da Editora Record, descobri-me limpa e leve, ao ver-me crescida  e resolvida, magra dos tais encantamentos que dóem tanto.

Assim diz Rimbaud: "Eu acreditava em cruzadas, viagens de descobertas, cujas narrações jamais foram feitas, repúblicas sem histórias, guerras de religiões sufocadas, revoluções de costumes, deslocamento de raças e  de continentes,:eu acreditava em todos os encantamentos".

ACREDITAVA.

Depois de Rimbaud, cedi ao Bruno Barreto e assisti a "Além da Paixão". Ainda não digeri a trama, especialmente a personagem "namoradinha do Brasil" da Regina Duarte (não do Bruno Barreto). A  dela terminou como se esperava. Já a do Bruno, ainda não sei. Mas valeu esperar até o fim.Pelo menos, completei um ciclo.

Os primeiros raios da manhã forçam a noite densa. Pássaros cantam. Sem acreditar em encantamentos,  vou dormir feliz.

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  • Postado em 05:08:57

13.01.08

Notícias da Pátria Livre

Armação dos Búzios, 31 de dezembro de 2007



Meu querido Eduardo,



Meu primeiro Reveillon sem você.
Peguei emprestada a idéia da cineasta Laís Bodanski (e de outros bons escribas, inclusive o Chico) e vou te mandar notícias aqui da Pátria Livre.
O verão está escaldante, mas, por incrível, há um vento leste assoprando e atrapalhando os invasores, nas suas devastadas incursões. Alguns, merecedores deste nosso sacrossanto paraíso, porque sabem cuidar dele. Outros, você já sabe, não é?
Há flores em abundância por aqui, meu amor. Hibiscos pendem dos muros e invadem as ruas, coloridos. Flamboyants ornam calçadas e casas. É um verão com ares de primavera, mas bem verão.
A nossa Geribá está intransitável. As nossas casas, alugadas. Os carros importados impedem a passagem dos bugres, que se vingam dos populares e ponteiam. Há cheiro de maconha ar, como sempre. E a cara de cocaína das pessoas é a maior bandeira.
Salviano e Armando estavam orientando o trânsito na entrada da Avenida Geribá. Afinal, as eleições estão aí e é preciso mostrar serviço. De obras, de turismo e de ansiedade pela permanência no poder, embora o Toninho não tenha tido as contas de 2007 aprovadas pelo TCE.
Geraldinho está com micose na unha do dedão do pé direito e tem apelado para a creolina. Ele estava lá no R$ 1,99 da Edy, à procura de flores de plástico para adornar o cabelo das meninas. Discutia com o Peréio (pois é, Geraldinho e Peréio) a escolha da melhor flor de plástico para servir de adorno. Peréio preferia rosas (e eu também) e Geraldinho queria lírios. O ator pediu a minha opinião. Saí-me bem: Acho melhor você ouvir o Geraldinho. Ele entende mais de mulher do que eu.
Deixei os dois lá e vim pra casa de Marcella e Boni, com Julieta, pelo trânsito. Passei pela nossa alugada casa e chorei o portão eletrônico e a tampa da cisterna quebrados e jurei, mais uma vez, não me alterar. Você não gosta.
Claro que Boni está nos proporcionando um verdadeiro show gastronômico. Comi bem. Eu, agora, sozinha, tenho uma empregada (a Clícia não foi embora não, mas esta dorme comigo) que faz uns doces desrespeitosos. Você se sentiria casado, finalmente. Afinal, a sua maior queixa, na nossa relação, é a de que todos os maridos comiam doces feitos em casa, menos você.
Não vou para a Pousada Corais & Conchas, à meia-noite, não. Não seria bom. Iria vê-lo nas mesas, toalhas, pessoas, champagnes, flores, fogos e alegrias vizinhas. Sem você, lá não dá. Este ano, o Márcio resolveu colocar palco, orquestra e outros que tais.
Todavia, quando penso que amanhã é 2008, fica tudo meio cinza. Afinal, é o primeiro ano que não te saúda.
Os que te amamos estamos, todos, com muita saudade.
E ainda tenho que passar o primeiro 8 de março; meu aniversário; seu aniversário; nosso aniversário de casamento... Só, sem você. Acompanhada do pranto, do espanto, da dor, no meio da cor, da poesia sem rima, entre fogos e brindes, beijos e juras, promessas e amanhãs. Sabendo que os amanhãs todos, futuros, serão sem você. Especialmente hoje.
Eu te amo, meu amor. E, por mais que eu queira obedecer à vontade de Deus, dá vontade de saber onde você está vendo romper o ano novo. Ligue pra seu pai, mamãe e papai e se juntem. E cantem. E dancem. E sorriam. Nós amamos vocês e não queremos vê-los tristes.
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  • Postado em 18:32:31