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24 de janeiro de 2008
Blog fora do ar por uns tempos. Blogueira pensando. Blogueira pensando.
Mas, antes de sair, quer prestar um serviço de utilidade pública: não deixem de assistir, em regime de urgência, ao filme "Desejo e Reparação", de Joe Wright, Inglaterra 2007. Não é porque ele está concorrendo a vários Oscars, inclusive ao de melhor filme. Mas é porque, é porque, "a gente fica sem respiração", o cérebro não oxigena e a gente perde, até, algumas cenas do filme. Só assistindo. Pena que Edu não viu.
Até qualquer hora.
Acordei de tarde, bem tarde.
E a minha irmã psicóloga (ou minha psicóloga irmã?), já acostumada às lides emocionais e psicológicas, mesmo com sono, observou um detalhe no filme do Bruno Barreto: o pai da personagem Fernanda (de Regina Duarte) havia acabado de morrer. Ela sofria muito e tentava assimilar a dor da perda. Doía tanto, mas tanto, que ela pegou o coração do pai, inteiro, e saiu andando pelo mundo, levando-o como um troféu, deixando sangrar, emergir todos os seus mais enraizados conflitos (olha aí a irmã psicóloga), rasgando as vestes, se lambuzando de cinzas.
Quando a dor foi aplacando, quando o rescaldo do terremoto podia ser visto, ela retomou as rédeas da sua vida. Os seus antigos amores. Todos. Como sempre. Estava sem papai, mas viva e diferente. Ela sabia que, nada, nunca mais, ia ser igual.
Dia 15 de janeiro, dia de Santo Amaro, feriado em Campos dos Goytacazes/RJ. Lá vai um monte de gente para a igrejinha do Distrito levando cabeças, pernas, joelhos, pés e almas de gesso, para agradecer ao santo os milagres. À tarde, tem Cavalhada, uma reprodução da luta entre mouros e cristãos - as eternas "guerras" religiosas. E, hoje, também, faz aniversário o meu eterno Pequeno, o meu afilhado e sobrinho querido. Quero-o feliz.
14/15 de janeiro de 2008
Sinto-me feliz e livre, liberta. Cheia por dentro e calma. Em paz comigo. Um tempo de verbo me salvou, me lavou a alma: o particípio passado do verbo acreditar.
Afinal, lendo o poeta francês Arthur Rimbaud, em Acreditar em todos os Encantamentos, do livro Uma Estação no Inferno, extraído de História da Beleza, da Editora Record, descobri-me limpa e leve, ao ver-me crescida e resolvida, magra dos tais encantamentos que dóem tanto.
Assim diz Rimbaud: "Eu acreditava em cruzadas, viagens de descobertas, cujas narrações jamais foram feitas, repúblicas sem histórias, guerras de religiões sufocadas, revoluções de costumes, deslocamento de raças e de continentes,:eu acreditava em todos os encantamentos".
ACREDITAVA.
Depois de Rimbaud, cedi ao Bruno Barreto e assisti a "Além da Paixão". Ainda não digeri a trama, especialmente a personagem "namoradinha do Brasil" da Regina Duarte (não do Bruno Barreto). A dela terminou como se esperava. Já a do Bruno, ainda não sei. Mas valeu esperar até o fim.Pelo menos, completei um ciclo.
Os primeiros raios da manhã forçam a noite densa. Pássaros cantam. Sem acreditar em encantamentos, vou dormir feliz.