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Edu, 17 de outubro de 2006
Depois do “filho da gamela” e das suas constantes reclamações interessantes sobre o meu hábito de bilhetes, tenho, até, medo de escrever qualquer coisa pra você e ser debochada. Afinal, me casei com um ariano. Mas, vou fazer de conta que nada houve, porque preciso lhe dizer algumas coisas.
As mulheres em geral, quando estão sozinhas, dizem que estão muito bem e é verdade. A gente se acostuma com o estado de solidão e não tem, mesmo, um companheiro. Então vai fazer o quê? Sobreviver com dignidade.
Mas, viver acompanhada e viver acompanhada de você é muito melhor. Aquele que tem a alma gêmea da minha. Que combina nos anseios e no estilo de vida, no companheirismo e no amor que, tenho certeza, você me dedica. Meio turrão, às vezes, meio desesperado, quando vê o dinheirinho indo embora, mas não diferente de mim e da maioria absoluta das pessoas. Afinal, todos têm as suas mazelas.
Obrigada, meu amor, por estar comigo em tudo (até nas implicâncias e nos meus arroubos antigos de provas de amizade). Só que, agora, aprendi e, nunca mais, vou agir como se comprasse afeto e nem permitir que você me deixe fazê-lo.
Obrigada por ter me feito ter uma casa tão linda e que vai ficar mais bonita ainda, porque, apesar de estar muito frágil, tenho certeza de que Deus vai me dar esta casa. Afinal, Ele não falha.
Obrigada por você aturar pedreiros difíceis – já estamos, quase, chegando ao fim. Obrigada.
Quero, cada vez mais, estar mais próxima de você. A gente se conhecendo, se curtindo, curtindo a vida. Quero terminar com você este resto de vida que vou viver.
Beijos de muito carinho.
Meus sobrinhos queridos, 08.06.06
Adoro morar em Búzios. Foi a minha grande escolha e descoberta. Mas, viver sem vocês, dói na carne.
Não voltaria para Campos, por razões que todos conhecem e/ou imaginam. E não moraria no Rio, em razão do trânsito, da violência, etc.
Gostaria, mesmo, é que Deus me desse a chance de morar no ar, num lugar muito lindo, no meio do caminho, para, quando me desse saudade, eu pudesse ir voando para perto de cada um de vocês.
Passamos, juntos, as maiores tristezas e imensas alegrias. A nossa relação nunca foi de papel. Sempre houve muita presença de parte à parte. E, em especial, muita verdade. Formamos, então, uma relação forte.
Sinto saudades de cada um. De acariciar os cabelos, de ler histórias, de cantarmos juntos, de jogar bola com Bruno e Laura, de conversarmos coisas alegres e sérias. De estarmos pertinho, sempre. As nossas opções de vida nos dividiram. Fazer o quê? Mas que a saudade dói, lá isso dói e muito.
Se não tivesse onde reclinar a cabeça, já seria feliz, pois tenho vocês. Com quem sei que posso contar. Vocês me têm inteira e sabem que podem contar comigo, SEMPRE.
Que porcaria que existe jogo do Flamengo e do Fluminense. Que porcaria que Chico ainda canta “Agora eu era herói”. Queria estar aí, perto de cada um, a cada jogo; quando tocasse qualquer das nossas músicas. Este é o meu testamento de amor.
Se fui feliz na terra – e o fui por muitos motivos, o maior deles foi ser tia de vocês, meus amores, meus queridos, meus adorados.
Acho que já disse tudo isto a vocês. Mas faço questão de repetir, todas as vezes em que tenho vontade.
Beijos de amor e saudade, num lindo dia de sol, em Búzios.
11 de junho de 2008
Hoje é aniversário da minha Princesa que baila.
O bailado dela é ritmado, leve e lindo. Bem azul.
Impressionados, os peixinhos vêm à tona para vê-la bailar.
À noite, a lua e as estrelas conversam, entre si, emocionadas com tanta beleza.
E, quando amanhece, o sol fica procurando a melhor posição para iluminar a grandiosa bailarina, que rodopia, rodopia.
As pessoas se acotovelam e pedem licença para ver a maga dos pés, passos e posturas.
Os escritórios, as escolas, os teatros, as instituições públicas e privadas liberam os seus componentes para ver a artista da alma dançar.
É! Artista da alma. Porque a minha bailarina não faz passos aprendidos na escola. Os seus passos vêm do seu coração sensível.
Baile, Minha Bailarina! Baile! É assim, bailando, que você vai deixar gravada a ouro a sua história.
Edu, 9 de junho de 2008
Um ano sem você. Contado dia por dia. Doído dia por dia. “O nosso amor ninguém inventa” Só nós dois, que reinventávamos tudo.
Há um ano, desvivo. Perplexa, atônita, paralisada. Pensando em como o mundo me deixou sem você. Sem o seu silêncio, que falava tão alto. Sem os seus mimos.
Sei que, se você pudesse, me diria para caminhar, ir em frente, tentar, seguir. Mas você não está aqui “para me levar pra frente”, como disse o nosso Tom, que, aliás, almoçou ontem comigo.
Emblematicamente, hoje amanheci melhor. É que você deve ter vindo à tona, num mergulho imenso, para me dizer, da beira do mar que te abriga, que você também me ama, que é para eu ficar em paz.
Laura, como nós sabíamos, tem sido um anjinho da guarda meu.
Sem você, fica tudo “esconso”, no dizer de Jorge Amado.
Eu te amo, meu amor. Fique com Deus. Conte a Ele sobre nós.