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Edu partiu no dia 09 de junho de 2007. Eu, cuja escrita é a minha maior forma de comunicação, fiquei tão perplexa, que só consegui falar da saudade, da dor, dois meses e meio após, em Búzios, na casa de Marcella.
Búzios, 24 de agosto de 2007
Eduardo,
Eu e os meus bilhetes ou cartas ou escritos. A minha forma mais conhecida de comunicação, depois da fala, claro. Você não gostava muito.
Eu imaginava que seria difícil viver sem você, mas não sabia que seria tanto. Quase impossível.
Você está nas flores, literalmente na água, no ar, nas compras, nas almofadas e cortinas, nos candelabros, nos lampiões, na Rua do Lavradio, na sua cadeira, no seu puf, na sua obra, no meu coração.
Amanhã, vou tratar do aluguel da loja, da decoração, com Gustavo (COMO?), dos brindes que venderei (COMO? Como aplicar o pronome na primeira pessoa do singular?).
Éramos sempre nós, “estreitos nós”, desde à hora em que nos vimos.
Você se foi para onde, meu amor?
Vou mandar a nossa Montana embora. Sem você, ela ficou pequena, fora de lugar. Consigo mal entrar nela, o seu orgulho.
Olho pra lua, pras ruas, pro verde, pros mares e penso que você vai brotar de repente, como um pescador de pérolas que descobriu a maior ostra, criou raiz, caule, folhas e vai irromper do azul imenso do Mar de Geribá para fazer as flores e entregá-las a mim. Como você fez no meu aniversário.
A poesia está de férias. Vou dar um grito pro mundo todo. Calar as raças, as castas, as magras, as boas, as más, os influentes, os indignos, os bárbaros, os cegos. Decretar silêncio no mundo. Baixem as cortinas. Sem aplausos. Edu se foi.
E eu? Enquanto não puder, não vou. Vou ficar estanque. Pensando nas suas mãos, nos seus pés, no seu dorso, na sua cabeça, nos seus cabelos, nas suas bermudas, nos seus tênis, na tinta correndo sobre a tela, no seu olhar travesso quando pintava uma boa idéia. Estou travada, Edu. Sentindo dor, tanta dor. Mas, desta vez, não quero brincadeira não. Vou sentir sua falta até sangrar. Vou deitar em todos os colos. Vou chorar a Praia de Geribá, pra onda vir arrebentar na beirada, com você junto.
É muita, muita dor. Dor que não melhora. Só piora.
Vem o Arquiteto amanhã. Vai fazer a casa de Marcella. O martelo, a enxada, a marreta vão derrubar o campo de flores que você implantou aqui neste lugar. Cada pedra que cair, vai doer no meu coração.
Que poesia, que nada! Que literatura! Bom mesmo era ter você ao lado, neste silêncio absoluto, que crava, que ensina.
Eu te amo, meu amor. Faltava tão pouquinho. Por que você não esperou? A sua dor era enorme, por dentro, imprescrutável e ela te cobria de medo. O medo que te levou.
Queria ouvir o vento cantar a canção que pedi a ele hoje: Eduardo, Eduardo, Eduardo e que este vento viesse me desmanchar os cabelos, secar as lágrimas do meu rosto, meu gosto, minha vida sem você.
criado por roselopes.rosemary
02:12:43