12.02.08
Sempre Edu
Edu, 16.10.2007
Como olhar a lua cheia, minguante, nova? Velha sim, isto é o que ela é. Ela nos acompanhava sempre, se impondo, por sua beleza. No quintal de Atafona, nos gramados e varandas de Búzios. A gente sentado, submetido ao astro, que clareava o nosso chão.
Vinha Diana, sabendo que era nossa e você a afagava. Ela relaxava, tão feliz.
O aconchego do nosso lar era contagiante. Todo mundo queria um naco: daquela lua, daquelas varandas, da nossa muito gelada cerveja, das nossas mãos trançadas, do nosso amor e, até, das nossas discordâncias, em tom baixo e em tom alto, que desenhavam o nosso amor.
Na manhã, vinha o homem pujante, ao qual ninguém convencia ou fazia parar: era o sol, o rei que, sem pedir licença, se esfregava dengoso na nossa pele. Depois, chegava o ovo de hotel, o pão quente, o suco, a alegria, tudo pelas nossas mãos.
Até o dia em que chegou a bruxa má e suja e brandiu, escondida: “Basta, vocês já foram felizes o tanto que precisavam”.
E, na sua cauda, saiu te puxando, rapidamente, com inveja de tudo o que você criou com as mãos e o cérebro, com raiva da harmonia dos seus traços e dos nossos espaços.
Hoje, espio os gramados, os fogões à lenha, as labaredas, a grama e o capim. E a bruxa brada, maldita: “Vocês já tiveram demais. Não adianta reclamar. Chorem, cada qual em seu canto, que é o que lhes resta”.
Discordo da bruxa. Bato pé, fico firme e grito para ela, mais alto ainda: Sua bruxa, o que nós tivemos de melhor você não conheceu. Nem com todo o seu feitiço, conseguiu pegar para aproveitar. Ficou em nós, em cada um, marcado, pintado, bordado, costurado.
E, quando a lua clareia a praia ou o sol esquenta o nosso olhar, até me rio da bruxa, tão sem preparo, tão perdida, tão cega. E judio dela: Vem, sua suja, vem pegar o que você não conheceu.
Ela se estrangula. Fica o silêncio.
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criado por roselopes.rosemary
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